O embate entre São Paulo e Flamengo fala por si só, dois grandes clubes do futebol brasileiro e duas peculiaridades, Dorival Junior assumindo o comando do Flamengo e Rogério Ceni voltando à meta do São Paulo.
O "clássico" 3-5-2 de Ney Franco
Daniel Carvalho, lúcido e atento ao futebol moderno

Como Pep se tornou Guardiola – Esmero e obsessão

Símbolo do Barcelona por uma década, Josep Guardiola pendurou as chuteiras em 2006 com o projeto de ser treinador. Ao contrário da maioria dos ex-jogadores que trilham esse caminho, foi estudar e buscar as lições de seus mentores. Propondo um futebol mais de razão que de resultados, Pep já conquistou 13 dos 16 títulos que disputou como técnico do Barça.
“Meu pai diz que preciso me reconverter. Pergunta o que quero fazer da vida. Não sei o que dizer; talvez que não vá fazer nada. Mas ele insiste, quer que eu me mexa, para não passar a imagem de preguiçoso. Mas, pai, talvez eu não faça nada mesmo da vida…”Em 2 de agosto de 2006, Josep Guardiola deu uma de suas últimas entrevistas. Poucas semanas antes, ainda jogava no desconhecido Dorados de Sinaloa, time mexicano cujo nome soa mais como uma franquia de beisebol de segunda divisão do que como um clube de futebol profissional.
O fim de carreira do meia catalão não foi à sua altura e, em suas palavras, sua reconversão também não parece lá muito bem encaminhada. Mas, atrás do discurso depressivo, o que Guardiola não diz é que passou o verão em Madri. E que sabe exatamente para onde vai.
DIPLOMA
O mês de julho de 2006 é intenso para o ex-capitão do Barça. Todo dia, ele vai até o subúrbio de La Rosas, rumo à Ciudad del Fútbol, na capital da Espanha. Lá, acompanha aulas com assiduidade, preparando-se para se diplomar treinador. O aluno é aplicado e talentoso.
“A escola nacional de futebol espanhola não tem ranking de classificação para os diplomados, mas posso dizer tranquilamente que Guardiola estava entre os três melhores da classe”, lembra Oscar Callejo, secretário da escola.Com o diploma em mãos, Guardiola não se dá por satisfeito. Para completar a formação, aconselha-se com treinadores que admira.
“Ele ligou para mim e para um monte de outros treinadores. Hoje parece coisa de doido: ligar para falar de jogo, analisar, descascar. Ele tem uma sede insaciável de debater. Eu sabia quando começavam as conversas com ele, mas nunca quando iam terminar”, diz o técnico argentino Angel Cappa.Ex-adjunto de César Luis Menotti e depois de Jorge Valdano no Real Madrid, treinador do Huracan e do River Plate -foi quem descobriu Javier Pastore-, Cappa foi para a casa de Guardiola em Barcelona no final de 2006.
“Não sei se ele já pensava em ser treinador, mas para mim era óbvio. É raro um jogador querer tanto colocar um jogo numa mesa de dissecação.”
LA VOLPE
Obsessivo e perfeccionista, Pep lista os técnicos com quem os quais gostaria de conversar. O primeiro é um argentino de bigode ameaçador, desconhecido na Europa, Ricardo La Volpe.
Na Copa do Mundo de 2006, Guardiola escreveu no jornal “El País”, e suas análises dos jogos e reflexões sobre futebol deixaram muita gente desconcertada. Só uma seleção agrada ao catalão. Não é a Alemanha de Jürgen Klinsmann, nem a Itália de Marcello Lippi, mas o México de La Volpe.
Ele escreveu: “Johan Cruyff dizia: o mais importante no futebol é que os melhores jogadores sejam os zagueiros. Se você sai com a bola, consegue jogar; se não, não faz nada. Johan diz que a bola equilibra um time. Se perde a bola, o time se desequilibra; se perde pouco, consegue manter o equilíbrio. La Volpe decidiu que sua defesa saísse jogando, e não que começasse jogando, o que é diferente.
“Para La Volpe, começar a jogar é tocar a bola entre os zagueiros, sem maiores intenções. Mas La Volpe os obriga a fazer outra coisa. Ele os obriga a sair jogando, obriga os jogadores e a bola a avançarem juntos e ao mesmo tempo. Soube que, nos treinos, La Volpe pede aos zagueiros que corram com a bola por 30 minutos sem parar. Se alguém faz um passe errado, se o campo não é usado em toda a sua extensão, se um passe não é dado para o goleiro como manda o jogo, ele pede para recomeçar do zero.
“Ele corrige, grita, e tudo recomeça. Uma vez, depois outra. Cem vezes, se for preciso. E ver seu México jogar é fantástico.”
Nem mais nem menos do que uma declaração de amor.
Mesmo que isso não agrade a Guardiola e ao seu romantismo, La Volpe foi demitido após ser eliminado nas oitavas de final, apesar de os mexicanos terem dominado a Argentina durante todo o jogo; o futebol só vive de vitórias.
Pouco acostumado a falar com a imprensa, La Volpe declarou: “Sei que Guardiola mencionou meu nome várias vezes, dizendo que fui um dos que mais o influenciaram. Talvez se inspirasse em mim nas triangulações ao chegar à área adversária. E disseram que dedicou a mim a Liga dos Campeões de 2009 (Barcelona 2 x 0 Manchester United), mas ele nunca me disse isso.
“Acho que seguimos o mesmo caminho. Gostamos de tomar a iniciativa do jogo, que o jogador assuma a responsabilidade de conduzi-lo. É assim que se faz bom futebol. Ele faz isso e ainda vence. Alguns de nós foram criticados por tentar e não vencer, é a regra do jogo”.
La Volpe seria demitido do Boca Juniors (2006), do Vélez Sarsfield (2007), do Monterrey (2008) e da seleção da Costa Rica (2011). Apaixonado pelo método argentino, como mostram suas relações com Cappa e La Volpe, por fim Guardiola atravessa o Atlântico.
Aproveitou uma viagem a trabalho de seu amigo David Tureba, cineasta e escritor, para voar a Buenos Aires. Era outubro de 2006.
ARGENTINA
Na capital argentina, Pep deixou sua bagagem num hotel do bairro de Palermo. A primeira visita que fez não foi a um treinador, mas a um nerd louro, um Mark Zuckerberg argentino, de cabelo comprido. Matias Manna é o criador do blog Paradigma Guardiola (paradigmaguardiola.blogspot.com). Ele analisa, com vídeos, pausas e reflexões perspicazes, o futebol de Pep.
“Desde 2005, vou decifrando a maneira de pensar e as convicções futebolísticas de Guardiola”, diz Manna. Ele conta como começou sua amizade com o atual treinador do Barcelona: “Eu o contatei por e-mail e ele respondeu. Sempre se mostrou aberto. Um dia, disse que estava vindo à Argentina e propôs um encontro. Passamos um dia juntos. Falamos muito de futebol.
“Dei a ele o livro ‘Lo Suficientemente Loco’, uma biografia de Marcelo Bielsa. Ele me agradeceu e foi deixar as malas no quarto. Quando desceu, minutos depois, citou quatro ou cinco conceitos de jogo que estavam no livro. Isto é: no elevador, voltando do quarto, já tinha entendido a essência.”
No dia seguinte, Guardiola decidiu assistir a um River-Boca, no Monumental de Nuñez. Seu ex-colega no Dorados Angel “Matute” Morales, conseguiu um ingresso para ele. Pep se misturou à multidão e, na fila para entrar, foi parado por seguranças. “Não o reconheceram”, conta Morales. “Foi revistado como qualquer um, mas não disse uma palavra, não protestou.”
Seu caminho o levou a César Luis Menotti, técnico campeão do mundo em 1978 e técnico do “seu” Barça na temporada 1983-84.
Como um velho sábio, Menotti recebeu aquele que, por enquanto, era só um jovem aposentado do futebol. O encontro aconteceu num restaurante do bairro de Belgrano, em meio a uma nuvem de fumaça de cigarro e cheiro de uísque.
“Quando Pep me procurou, algo já o distinguia: ele tinha ideias claras. Não chegou como outros, que queriam que eu desse o caminho, como se fosse o Messias. Ele já sabia. Então disse a ele: ‘Quer ser treinador? Não tenha dúvidas, vá fundo. Seja treinador, e assim as críticas serão mais bem divididas, não vão mais ser só para mim.”
Guardiola deixou-se seduzir e também tranquilizar pelo discurso radical do mentor de Maradona. O terceiro e último encontro irá confortá-lo ainda mais na sua decisão.
EREMITA
Maximo Paz, província de Santa Fe. Josep Guardiola marcou um encontro com o eremita do futebol argentino, “el loco” Marcelo Bielsa. Então afastado do futebol desde 2004, Bielsa vivia confinado em casa, sem dar sinais de vida.
Guardiola conseguiu o encontro graças a Lorenzo Buenaventura, seu treinador pessoal quando jogava na Itália e ex-adjunto de Luis Bonini, o braço direito de Bielsa. Hoje, Buenaventura é o preparador físico do Barcelona. A fascinação de Guardiola por Bielsa data da Copa do Mundo asiática de 2002, quando “el loco” treinava a seleção argentina.
Na época, Guardiola declarou: “Para mim, o time mais interessante do torneio é a Argentina, mesmo que não tenha passado da primeira fase. Jogou muito bem, apesar de vivermos num mundo onde, se você ganha, é bom, mesmo que não tenha ficado com a bola; e, se você perde, não importa se tentou, se teve a bola, se o time estava organizado e se tinha apostado no 3-4-3, como Bielsa fez. Você perde e é um fiasco. Vejo isso de outra forma.”
Por 12 horas, em volta de um “asado” (churrasco argentino), os dois conversaram, assistiram a trechos de jogos, debateram, brigaram, se reconciliaram e recomeçaram. Um tema, ou melhor, um homem os une acima de tudo: Louis van Gaal.
O técnico holandês é o único europeu que Bielsa já tomou como exemplo: “O modelo estrangeiro que mais me agrada é o do Ajax de Van Gaal. Ele tem um time flexível para compor suas linhas conforme as exigências do adversário na hora de recuperar a bola. O que interessa é que o time tenha um projeto de jogo próprio nos momentos ofensivos. Calculei que o Ajax dava uma média de 37 passes para trás. O torcedor via isso como recusa a jogar, mas esse passe para trás era o início de um novo ataque.”
No seu livro “Mi Gente, Mi Fútbol” (2001), Guardiola diz o mesmo de seu treinador: “Poucos times me seduziram tanto quanto o do Ajax de Van Gaal, com sua facilidade para criar o jogo da defesa, a velocidade dos jogadores das laterais e seu modo de passar a bola. Aquele Ajax conseguia resolver de maneira fantástica todos os ‘um contra um’ de um jogo. No ataque e na defesa. Assumiam todos os riscos que um time pode correr.
“Aquele Ajax tinha algo que me surpreendia, espantava, maravilhava. A disciplina do posicionamento. A posse de bola como ideia de base. O jogo constantemente sustentado. Os movimentos de dois toques… E eles faziam isso de forma tão simples quanto sublime. O Ajax de Van Gaal dava aulas de futebol aos que conheciam perfeitamente o jogo.”
‘SANGUE’
Nutrido pelo futebol total de Johan Cruyff, Guardiola consegue, acima de tudo, aplicar maravilhosamente bem os preceitos de Bielsa. “Procuro ocupar as laterais, porque a maioria das situações perigosas vem delas. O contrário significa centralizar o jogo. Qualquer estudo revela que 50% dos gols finalizados vêm das laterais. Se um treinador quer que o time domine o jogo, deve posicionar no mínimo dois jogadores por setor. Nunca posiciono os jogadores com o intuito de atacar usando o contra-ataque.
“Para mim, trata-se, antes de mais nada, de uma questão de posse de bola. Se der para ficar com ela, por que devolvê-la? Não preparo um time para esperar. Um grande time não é condicionado pelo rival. O fundamental é ocupar direito o campo, ter um time curto, com uma linha de defesa e uma de ataque separadas por no máximo 25 metros, e que nenhum zagueiro esteja ocupado marcando um adversário que não existe.”
Tocado pela sinceridade quase ingênua de Guardiola, Bielsa perguntou: “Você, que conhece toda a sujeira do mundo do futebol, o alto grau de desonestidade de certas pessoas, por que quer tanto voltar e treinar jogadores? Gosta tanto desse sangue?”. Guardiola respondeu: “Preciso desse sangue”.
O fato é que o catalão vai usar outro método de Bielsa, o de não entregar nada à imprensa. Recluso no seu silêncio há mais de uma década, o argentino havia justificado assim sua vontade de não falar: “Por que eu deveria dar entrevista a um jornalista poderoso e negá-la a um repórter do interior? Por que deveria participar de um programa que tem picos de audiência toda vez que apareço e não me deslocar até uma pequeno rádio local? Qual a lógica? Meu interesse?”.
Guardiola se apoderou da fórmula. Depois de virar treinador do Barça, não deu mais nenhuma entrevista individual. Só vai às coletivas obrigatórias do clube.
JOGO BONITO
Pep voltou à Espanha está seguro de si como nunca. Dias depois de deixar a Argentina, em 22 de outubro de 2006, declarou ao jornal “Marca”: “Por que não poderíamos ter treinadores que defendam o jogo bonito? Converso com muitos treinadores: ‘Como é esse jogador? Como faz aquele?’. Mas não tem receita. No futebol, ganha-se com estilos muito diferentes. Precisamos fazer as coisas como as sentimos. É a partir da bola que se constrói um time.”
Em 2006, Josep Guardiola tinha 35 anos, tinha ideias, mas continuava desempregado. “Seu” clube, embora fosse campeão europeu, estava desabando. Contagiado pela suficiência, o Barça de Frank Rijkaard vivia suas últimas horas de glória. Txiki Begiristain, diretor esportivo do Barcelona e braço direito de Joan Laporta, logo foi consultado por alguns dirigentes, sabendo das intenções de Guardiola.
Begiristain então decidiu, para que seu ex-colega se acostumasse, confiar a ele a direção da categoria de base e dar a Luís Enrique o Barça B. Desapontado, mas leal a seu clube de sempre, Pep aceitou. Só pediu um último encontro com Begiristain. “Pep me falou sobre sua vontade de treinar. Entendi que era o momento dele”, diz o ex-diretor dos esportes do Barça.
Em 21 de junho de 2007, seis meses depois da viagem à Argentina, Guardiola foi nomeado treinador do Barça B, que estava na terceira divisão do campeonato espanhol.
Munido de princípios e teorias, foi confrontado pela primeira vez com a realidade da vida de treinador. Alertado por amigos sobre as dificuldades das divisões inferiores, o primeiro trabalho do técnico “blau-grana” (azul e grená) consistiu na seleção de um grupo.
Ele tinha poucos dias para reduzir o número de jogadores de 50 a 23, destruindo o sonho de vários. As primeiras dúvidas surgiram logo no primeiro jogo, que acabou… em derrota. Guardiola se empenhou, construiu um time no qual um certo Sergio Busquets se impôs no meio do campo; no qual, na ponta direita, Pedro Rodriguez oferecia seu jogo feito de percussões.
Dois meses após o início do campeonato, Guardiola resumiu: “Ser treinador é fascinante. É por isso que os treinadores acham tão difícil parar. O trabalho traz uma sensação permanente de excitação, de que o cérebro gira o tempo todo a cem por hora. Começar na terceira divisão me tornará um treinador melhor, se um dia eu ocupar o banco de um profissional. Hoje sou melhor que dois meses atrás.
“Nunca tinha sido confrontado com 25 caras esperando que eu dissesse algo. Hoje posso ficar tranquilo na frente deles. Antes, no intervalo, não sabia o que dizer.”
NÚMERO UM
Guardiola sabia as palavras certas, seu time venceu o campeonato e o Barça B subiu para a segunda divisão.
Ao mesmo tempo, no andar de cima, Rijkaard deixou escapar para o Real, pela segunda vez seguida, uma liga que estava na mão. Laporta entendia que o holandês não tinha mais autoridade sobre um grupo dominado pelos egos de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o. Começou então uma disputa de poder nos bastidores do Camp Nou entre os conselheiros do presidente.
Laporta conta: “Minha ideia era que Johan [Cruyff] treinasse o time, tendo Pep como adjunto, e que, na temporada seguinte, ele virasse o número um. Johan não disse nada. Eu o conheço, sei que toma decisões rápido. Por fim, ele me disse que deveríamos nomear Pep logo. Txiki concordava: ‘Guardiola está pronto para ser treinador do primeiro time’. Propus essa solução numa reunião. Alguns eram a favor, outros queriam Mourinho. Falei: ‘Mourinho não, vai ser o Pep’.”
Em 8 de maio de 2008, menos de dois anos depois de receber o diploma de treinador, Guardiola foi nomeado técnico do time do qual fora capitão e símbolo por cerca de dez anos. Sua primeira medida foi impor o afastamento das três estrelas: Ronaldinho, Deco e Eto’o.
Os dois primeiros aceitaram; o camaronês ganhou uma temporada de descanso. No primeiro treino, Pep se dirigiu aos jogadores: “Não vou prometer que vamos ganhar títulos. Vamos tentar. Mas apertem bem os cintos, porque vocês vão passar ótimos momentos.”
Pep acabava de se tornar Guardiola.
Publicado originalmente na revista francesa “So Foot”. Colaboraram Javier Prieto Santos e Aquiles Furlone, de Buenos Aires.
ALEXANDRE GONZALEZ
TRADUÇÃO SOPHIE BERNARD
ILUSTRAÇÃO MARCELO COMPARINI
Sonho colorado se concretizando com Forlán e, possivelmente Nilmar
Neste segundo semestre o Inter pode estar montando um verdadeiro esquadrão ofensivo. Diego Forlán já foi anunciado como novo reforço, deve ser apresentado no sábado.
Caso o colorado confirme Nilmar como seu novo reforço, Leandro Damião deve ser vendido, mas, mesmo assim, o Inter forma uma das melhores, se não a melhor dupla de ataque do campeonato brasileiro. De tantas opções fica difícil, ou fácil, montar o time colorado. O certo é adequar algum esquema aos jogadores e não ao contrario.
Que isso Luxa. Baixou o professor pardal? Decifrando o 3-6-1

Domingo (08/07) no jogo entre Santos e Grêmio em partida válida pela oitava rodada do Brasileirão 2012, Vanderlei Luxemburgo nos surpreendeu. Uma peripécia que não esperávamos. O treinador estava em meio a desfalques, sem saída, decidiu armar um 3-6-1 até então nunca testado, apenas em treinos. Foi com esta novidade que Luxemburgo abriu as pernas para o Peixe. Não que o esquema era ofensivo, muito pelo contrario. Não o classifico como chama derrota, mas no primeiro tempo – enquanto este esquema esteve em vigência – o Grêmio não levou perigo ao gol de Rafael.
O atacante estuda o zagueiro?
É de conhecimento geral que defensores estudam seus adversários minuciosamente, mas me pergunto se o contrario acontece, será que atacantes e meias estudam seus adversários? A resposta me parece que não, mesmo que toda regra tenha sua exceção.
Um exemplo claro é o pênalti. É obvio que o goleiro estuda todos batedores antecipadamente para uma eventual decisão por pênaltis ou possível infração durante os 90 minutos. O guarda redes decora a passada do cobrador, a forma que o pé de apoio fica no gramado, como a bola é posicionada – com ventil para frente, lado ou trás – e, finalmente, o lado de preferência. Todo cobrador possui um lado em que julga mais fácil acertar. Mas será que este mesmo cobrador estuda o goleiro? Sim, há como estudar o goleiro. Antecipo que é fácil ler os movimentos do goleiro.
Como Falcão moldou Oscar, seu aprendiz

Bahia de Falcão x Inter. Não que seja um clássico, mas um jogo que envolva Falcão, ídolo do Inter e ex-treinador do colorado, merece atenções redobradas.
Por fim, mas nem por isso menos glorioso, Grêmio x Atlético Mineiro de Ronaldinho. Novamente Ronaldo voltou a sua “casa”, se é que ainda possa chamar assim. Desta vez o camisa 10, digo, 49, saiu vitorioso e calou cerca de 35 mil almas que o vaiavam veementemente.
Como Seedorf ira jogar pelo Botafogo?

Confirmado, Clarence Seedorf é do Botafogo. O Surinamês, para surpresa de muitos, Seedorf não nasceu na Holanda, mas sim na Republica do Suriname situada na America do Sul.
Seedorf chegou as 36 primaveras no ultimo primeiro de abril. Assina contrato por dois anos com o fogão e deve ser a estrela – solitária – do time.
A grande disputa que Seedorf deve enfrentar é fora de campo com torcida e holofotes dos jornais, pois dentro de campo o meia deve ter lugar cativo no time, pelo menos isto que esperamos.
Emerson inspirado e Boca destemperado tornaram o Corinthians Campeão

Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai Corinthians!
Este foi o slogan corinthiano para esta Libertadores. Coringão campeão de fato e de direito. Demorou, mais de cem anos, mas a esperança é a ultima que morre.
A equipe comandada por Tite foi campeã invicta, passou por campeão da Copa do Brasil, atual campeão da Libertadores e por último o temível e, atual campeão argentino, Boca Juniors.
A importância do camisa 9 em Portugal x Espanha
A poucos dias vimos o embate entre Portugal e Espanha, bom jogo e com algumas minúcias, peculiaridades destas seleções. Permitam-me, mas analise deste jogo ira fugir do normal, bem como Vicente Del Bosque tentando mudar o estilo de sua seleção, mas isto é papo para daqui a pouco.
O camisa 9, centroavante, matador... Enfim, existe uma mística em torno deste jogador, mesmo não usando a “9” ou sendo um típico “9”. Refiro-me ao embate entre Hugo Almeida, clássico centroavante de imposição, força e oportunismo, versus, opa, Negredo, isso, Negredo. Del Bosque nos pregou uma surpresa, escalou um centroavante de referência, mas longe da preferência nacional, Llorente.
As pequenas sociedades do Boca Juniors

Final inédita de Libertadores entre Boca Juniors x Corinthians. Primeiro capitulo na Argentina, na temida La Bombonera, lotada e botando gente pelo ladrão e, sim, ela pulsa.
Se pudesse definir este confronte o definiria por dois times que se estudaram muito antes da partida e tinham como primeiro intuito não levar gol.
Propostas cautelosas que geraram um jogo tenso e que prende o telespectador, pois a qualquer momento a historia pode ser refeita.
França apresenta 4-1-4-1 assimétrico. De envergonhar Napoleão

Blanc não inovou. O treindor Frances copiou Bilic, treinador da Croácia, ao escalar dois laterais para anular o flanco esquerdo espanhol. Sim. Dois laterais, mas um jogando como winger. Os escolhidos foram Reveillere e Debuchy, o segundo compondo a linha de meio campo. Ambos jogavam próximos e com perseguições a Iniesta e Alba, respectivamente.
Se não fosse por um lance, a estratégia seria cumprida com sucesso, mas a movimentação, velocidade e inteligência espanhola “caotizou” esta proposta.
Corinthians, como manda o gabarito
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| Os destaques da partida. O comandante Tite. Leandro passa nada Castán e o bravio Paulinho o homem de duas áreas. |
Finalmente a nação corintiana pode gritar a pleno pulmões: "estamos na final". O time do parque São Jorge quebrou o tabu e agora tem reais chances de ser campão. O adversário é incerto, o titulo ainda mais, mas como parar o bando de loucos? Argentina ou Chile, aí vamos "nós", contra tudo e contra todos.
Tite acomodou as melancias na carroça, escolheu os melhores e formou um time competitivo. O treinador lida com seus jogadores na palma da mão, pois consegue mudar a proposta de jogo sem trocar de jogadores. Tite propôs uma ideia, os jogadores a comparam e o resultado é este: Campeão brasileiro de 2011 e finalista da Libertadores 2012.
Sem grandes estrelas, o gaucho conseguiu montar um time sem vaidades e, priorizando o conjunto.
Armadilha palmeirense, balonismo tricolor e importância da vitoria pessoal

No último confronto entre Grêmio e Palmeiras pela Copa do Brasil, os clubes protagonizaram um embate no mínimo interessante. Ambos os clubes que encantavam o Brasil na década de 90, com estes mesmos treinadores, porém, hoje, trocados, Luxa no Grêmio e Felipão no Palmeiras.Grêmio tentando buscar o jogo, mas sem articulação e Palmeiras retraído em seu campo e armando belíssimos contra-ataques.
Grêmio e Palmeiras já tinham se encontrado há quinze dias pelo campeonato brasileiro, na ocasião, vitoria tricolor por 1x0. Aparentemente Felipão aprendeu mais com sua derrota do que Luxa que saiu vitorioso.
Portuguesa, mais do que esperávamos, menos do que merecia

Surpreendido. Esta foi à sensação que me comoveu ao assistir a querida Lusa. Esclareço que surpreendido de maneira positiva. Mas confesso que é complicado mensurar a goleada sofrida perante o Fluminense, a final, como ficar surpreendido positivamente ao sofrer uma derrota de 4x1? A resposta não é simples, porém, há nomes encarregados: Fred, mesmo não estando no melhor de seus dias ele brilhou; os vilões, os três zagueiros da Lusa, incrível, foram tentados e caíram como patinhos perante o centroavante tricolor.
Geninho possui pouco tempo de trabalho, mas já é possível ver em campo suas ideias. Alias, ideias estas com embasamento, pois é visto no relvado o que o treinador esbravejava fora das quatro linhas.
Roth arma Cruzeiro com seu selo de originalidade

Confesso que estava curioso para ver como Celso Juarez Roth estava armando seu Cruzeiro. Para minha surpresa, o treinador não fugiu do que estamos acostumados. Ainda em inicio de trabalho, Roth, trabalha primeiro sua defesa, após consolidar o sistema defensivo o treinador parte para movimentos ofensivos. Enquanto fica arrumando a casa lá atrás, na frente o ataque se torna uma verdadeira bagunça, baderna.
Celso se diz “pai da criança”, 4-2-3-1, no Brasil. Ou nesta era moderna, anos 2000. Assim joga o seu Cruzeiro. Ressalto que times são mais do que esquemas, ou se preferirem, numerozinhos. Times bem montados, ou não, possuem estratégias, organização, ou falta da mesma, enfim, como diz @eduardocecconi “organismos” sejam eles vivos ou não.
São Paulo fica devendo em seu 4-2-3-1
Emerson Leão armou sua equipe entre o 4-2-3-1 e 4-3-3, porém, com maior predominância no 4-2-3-1. O time claro e evidentemente joga pelos lados do campo, não possui articulador, extremamente individualista, fica devendo em fase defensiva e tem dificuldades em explorar sua principal arma, Luis Fabiano.
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| Flagrante tático : São Paulo postado no 4-2-3-1. |
Mano monta seleção com intensas variações de esquemas

Para o clássico entre Brasil x Argentina, Mano Menezes aprontou algumas surpresas. O treinador tinha de mudar algo em relação ao ultimo jogo, a seleção, aparentemente, estava sendo facilmente marcada.
Durante a semana correram boatos que, Sabella estava montando um time para anular os flancos do Brasil da seguinte maneira: Zabaleta e Clemente Rodriguez seriam laterais de pés trocados – destro na esquerda e canhoto na direita -, isto para dar a linha de fundo a nossos pontas e bloquear infiltrações; duas linhas de quatro para fazer um bloqueio e povoar os lados do campo com, novamente, jogadores de pés trocados, Di Maria na direita e Sosa na esquerda, ambos auxiliando os laterais no bloqueio. E, de fato, isto aconteceu.
Ronaldinho e Neymar, eles abandonaram a ponta esquerda

O que Ronaldinho e Neymar podem ter em comum?
A tão falada ponta, flanco, lado, cantinho esquerdo, você decide como denomina-lo. Um no final da carreira, outro na flor da idade, porém ambos estavam caindo na mesmice, mediocridade, previsíveis e facilmente marcados. Neste final de semana, tudo mudou, ou, uma tentativa.
Porque a ponta esquerda? Neymar e Ronaldinho são destros e jogando pela esquerda teriam facilidade em cortar para o centro e finalizar. Alem disso, jogariam em cima do lateral, bloqueando o apoio do mesmo e se aproveitando da fragilidade na marcação do lateral, estariam longe da marcação dos beques, viriam de trás em velocidade e de frente para o gol.
English Team, a espera do contra-ataque perfeito
Roy Hodgson fez apenas duas partidas, mas sua proposta de jogo parece estar ficando clara. Já que o treinador tem pouco tempo para treinar, faz o básico e, aparentemente, de sua preferência. Jogar em contra-ataque, defendendo e espreitando bons contragolpes pelos flancos.
Inglaterra por muitos anos foi à inovadora tática do futebol. O treinador optou por uma variação do famoso 4-4-2 em duas linhas o, 4-4-1-1. Esquema este baseado na velocidade dos wingers, meia-atacante e centroavante. A ordem era marcar, diminuir espaços, ocupar de maneira inteligente o campo e, sorrateiramente, contragolpear de maneira perfeita.





























