#BemVindosaoCéu.

Os ingleses do Manchester United são conhecidos como "diabos vermelhos". E não há nenhum problema no apelido emprestado do "coisa ruim". Não porque só haja santos na cinzenta cidade da Terra da Rainha, sim porque os eventuais "coisas ruins" quando aprontam são punidos de maneira exemplar.

E assim acontece em outros times de vários esportes. São bastantes aqueles que fazem uso de alcunhas alusivas a entidades religiosamente negativas ou partem para o politicamente incorreto para se autodenominar ou se promover sem, no entanto, incitar comportamentos violentos por parte de seus torcedores. Há, por exemplo, na NHL, os "Devils" ("Demônios") de New Jersey, e, na MLB, os "Piratas" de Pittsburgh. Enquanto no futebol alemão, o simpático St. Pauli sempre entra em campo, em suas pelejas em casa, ao som de "Hell Bells" ("Sinos do Inferno"), sucesso do grupo AC/DC.

No Brasil, a estratégia de propaganda associada ao sobrenatural não constitui uma novidade. Há até um diabo que todo mundo gosta, o América carioca. De vez em quando, há "infernos" de cor verde em Curitiba. Possivelmente, viverá o seu o Engenhão na próxima quarta-feira, convocado pela torcida do Fluminense, após os maus-tratos sofridos na Argentina, na derrota para o Boca Juniors.

Artifícios a princípio motivacionais que, dada a inversão de valores em que vivemos, em uma época na qual o futebol transformou-se em válvula de escape para frustrados e problemáticos, podem virar combustível para cenas como as presenciadas pelos próprios tricolores no Couto Pereira, no final de 2009.

Mas não é apenas a questão da violência que me deixa ressabiado a respeito da ação proposta pela massa pó-de-arroz. Nesse caso, ela não nem é ao menos a principal. Porque ao analisar suas bases fica claro que o objetivo não é bater ou matar ninguém. "É mostrar que somos civilizados". É "só" retribuir as "gentilezas" através de "bobeirinhas"do tipo "pintar o vestiário" ou "soltar fogos na janela do hotel do rival a noite inteira".

Cositas estas e outras más por que passam os brasileiros quando precisam atuar na varzeana área de jurisdição da amadora Conmebol, que se recusa a tomar atitudes que inibam o comportamento babaca que se espalha pelos estádios do continente. Que conta com a CUMPLICIDADE dos OMISSOS dirigentes daqui, que NÂO SE COLOCAM DE MANEIRA FORMAL E INCISIVA contra os mandos e desmandos de Leóz, empurrando a responsabilidade da cobrança para as passionais arquibancadas, que preferem - e é de se entender - adotar a política do "olho por olho, dente por dente".

Passou do tempo de acabar com essa PALHAÇADA de "espírito de Libertadores". Aliás, um dos responsáveis por tornar o fragilizado Boca temido além daquilo que merece hoje em dia. Com todo o respeito, mas sem HIPOCRISIA, basta JOGAR, na acepção da palavra, sem preocupações exageradas com o peso da camisa do outro lado e ciente do VALOR de seu próprio uniforme, que o Flu conseguirá os dois gols de diferença.

Por fim, não posso esquecer dos shows que os tricolores se acostumaram a protagonizar nos últimos anos. Dos mosaicos. Das famílias. Da festa de cores. Das bandeiras. Dos belos cantos. Das lindas mulheres que parecem anjos .

#BemVindosaoInferno?

É #BemVindosaoCéu, hermanos.

Será junto ao firmamento verde, branco e grená que vocês se lembrarão de como, na bola e na empolgação, nós os eliminamos.

Abraço!