#Futebolparatodos.


Desculpem, mas não sou muito bom para datas. Por isso, às vezes, sou obrigado a utilizar a expressão "dia desses" em meus textos. E dia desses li uma frase do deputado federal Romário de Souza Faria que acabou por me chamar atenção e provocar reflexão. Algo do gênero "A Copa de 2014 será no Brasil, mas não será do Brasil", disse o parlamentar, em alusão aos prováveis altos preços dos ingressos para o Mundial.

E ele está certo. Mesmo que sejam, na medida do possível, adaptados a nossa realidade, os valores cobrados pelas entradas dos jogos tendem a afastar dos estádios uma grande parcela da população do país. Em resumo, meu Brasil brasileiro, você pagará, mas apenas uma pequena minoria privilegiada curtirá os prazeres do carnaval futebolístico.

Mas, dos males o menor. A Copa dura pouco. Trinta dias. E rapidinho, rapidinho, teremos nosso esporte preferido de volta. Ou não?

Faz bons - ou ruins - anos, algum gênio da lâmpada afirmou que torcedor não podia ficar em pé no estádio. E nós, vaquinhas de presépio, aceitamos. E lá se foi embora a famosa "geral",  a maior representação da natureza democrática do futebol da qual tenho conhecimento. E não importava se até na moderna casa do alemão Borussia Dortmund uma parte do público não dispunha de cadeiras. O país do futebol,  fiel à mamãe FIFA, precisava se modernizar. Nem que o processo custasse atirar no lixo uma de suas maiores tradições. Nem que siginificasse fazer xispar fora do Maracanã o "geraldino", personagem mais famoso de tardes regadas a Zico e Roberto Dinamite.

Porém, não bastaram as cadeirinhas. Para sediar a sonhada Copa tinha que destruir estádio. E o fizeram com o Maraca. E tinha que construir arena, o termo da moda. E o tentam fazer com o "Fielzão". Que, segundo consta, recebeu gorda proposta pelos chamados Naming Rights. Bom, só para explicar, esse lance de Naming Rights é basicamente o seguinte: uma empresa qualquer paga uma grana considerável para batizar o estádio. Digo, a arena. Então vê se esquece aquela conversa de "Itaquerão", "Prudentão" e por aí vai. E se acostuma logo com o nome do patrocinador.

Patrocinador que, claro, não pretenderá colocar seu sagrado nome um um "pé-sujo" qualquer. Como, de fato, não serão nossos estádios pós-Mundial. Modernas e imponentes obras que gerarão, óbvio, um alto custo operacional. Bom, só para explicar, esse lance de custo operacional é o seguinte: é a quantidade de dinheiro que o cidadão necessita para manter seu empreendimento, nem que seja nas mínimas condições. 

Logo, e não precisa ser nenhum gênio para prever, quanto mais moderno, imponente e cheio das frescuras da FIFA for o estádio - perdoe, a arena - maior será o custo operacional e, consequentemente, o preço dos ingressos.

Ah, existem sim, soluções viáveis que podem reduzir esses impactos. Tais quais, nas palavras do consultor especializado em marcas Amir Somoggi, "usar a estrutura, como camarotes e restaurantes, para atrair clientes." Mas, repara, nenhuma delas contempla aquele camarada que chamamos de verdadeiro torcedor. O mesmo que, não raro, deixa de comer para acompanhar seu time do coração. O mesmo que, graças à tal modernidade, vem sendo banido das arquibancadas.

#Futebolparatodos.

Boa terça!